sexta-feira, 4 de março de 2016

Requer-se a atitude de amar

Dom Jacinto Bergmann - Bispo de Tubarão 
Certo que as coisas não andam lá muito boas... O noticiário local, nacional ou internacional convida a um relativo desânimo. Pesquisas das mais variadas dão conta de sérias lacunas éticas na população, os laços familiares são marcados pela efemeridade e o entretenimento, amiúde, pela boçalidade. Chame-se a isso de decadência do Ocidente, crise da pós-modernidade ou “noite cultural” - como a chamava o saudoso papa João Paulo II -, o fato é que os tempos estão difíceis.

O que fazer? Deixar-se condenar a uma atitude blasé? Ceder ao consumo ávido do fogo-fátuo, no mais radical “último dia”? Nossa consciência pede saídas a esse falso dilema. Bem sabemos que os personagens da cena trágica não são obras de ficção, dados estatísticos, abstrações jornalísticas e, muito menos, apelos publicitários em tempos de campanha eleitoral. São gente como eu e você - talvez mesmo eu ou você, gente a quem estamos visceralmente ligados. 

Parafraseando Gandhi, o grande reformador da Índia, tu e eu somos uma coisa só: não te posso fazer mal sem que eu me fira.
E essa consciência incomoda, interpela, requer atitude. Quem sabe, uma receita simples, ao alcance de todos, possível para o dia-a-dia!
O grande místico São João da Cruz tinha uma máxima simples, lapidar: “Onde não há amor, coloca amor e encontrarás amor”. Essa sugestão simples, até aparentemente simplória, contém uma carga transformadora enorme. 

O que o amor é capaz de realizar foi e é eloquentemente testemunhado por santos como Albert Schweitzer, Madre Teresa de Calcutá, Martin Luther King, Irmã Dulce, Dom Luciano Mendes... E poderíamos listar páginas e páginas de pessoas que amaram o ser humano sem medir.
É preciso sempre mais acreditar no amor e fazer o amor o ideal de vida. Amor que Cristo trouxe à Terra e deixou como legado, como ensinamento, como mandamento. 

Amor que tem algumas características bem precisas como: amar a todos, amar por primeiro, amar como a si mesmo, “fazer-se um com o outro”, amar reciprocamente e até amar o inimigo. Este amor representa um caminho de contínua atualidade, acessível a qualquer pessoa que, independentemente de sua convicção religiosa, deseja dar espaço ao valor mais profundo e universal do ser humano, o amor.

O chineses costumavam dizer que, se cada um varrer a calçada da própria casa, toda a cidade ficará limpa. Se a esse princípio somarmos a máxima do santo poeta espanhol acima citado, São João da Cruz, quem sabe não desbravaremos no cipoal da nossa história pessoal e coletiva uma trilha de esperança.
Pronúncia desta palavra, apesar de se escrever blasé, ela é pronunciada como "blasê"
Blasé - sinônimo: ato de tornar insensível ou indiferente, uma pessoa cética, apática, ou indiferente, "incapaz de reagir a novos estímulos
Um indivíduo pode revelar uma atitude blasé por tédio, cansaço ou por ser esnobe.

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